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Quem sabe faz a hora

quarta-feira, 25 de março de 2009

No último domingo, após a exaltante vitória do Corinthians sobre o Santos, eu e um grande amigo de infância começamos a conversar sobre a crise econômica mundial e o que poderia acontecer com o Brasil e o mundo nos próximos meses. Confabulamos por horas e, inevitavelmente, chegamos à terrível conclusão de que, como sociedade, temos escolhido o caminho mais fácil. Reclamamos da educação, mas não temos paciência para ensinar. Reclamamos do desemprego, mas não queremos abrir mão dos benefícios oficiais e regimes de contratação da legislação trabalhista.

Mas nem sempre foi assim. Em 1968, a composição de Geraldo VandréPra não dizer que não falei das flores” incitou muitas pessoas a se unirem contra o regime militar, pré AI-5. Na época do “Brasil, ame-o ou deixe-o” atitude era o engajamento político. Os anos passaram, os problemas mudaram e, em alguns sentidos, a atitude do povo desapareceu.

Aquele sentimento de união deu lugar ao individualismo, à polarização entre desenvolvidos e subdesenvolvidos, à crescente distância entre ricos e pobres. Começamos a culpar as outras pessoas pelas nossas agruras. Esquecemos em quem votamos e desistimos de reclamar por dar muito trabalho. Não demorou muito para, no geral, pararmos de refletir. Essa falta de equilíbrio da sociedade gerou problemas que exigem muitos sacrifícios para resolvê-los.

Posso dizer que, durante algum tempo, fui assim, como esta sociedade. Atropelei meus sentimentos em busca de uma idealização que não correspondia à minha realidade. Culpei aos outros por não querer enxergar minhas responsabilidades. Senti que minhas opções começaram a se esgotar e que alguma coisa deveria ser feita. Foi nesse momento que, em 2004, comecei a fazer terapia e nunca mais parei.

Acho que o que quero dizer com toda esta introdução é: Atitude é ouvir sua voz interior. É descobrir o que te faz bem e não perder tempo com rodeios. Sempre existirá um “governo” autoritário para julgá-lo e colocá-lo no exílio. Descobri que agindo integramente (no sentido de mente e corpo unidos) minhas ações dão mais resultado. Parei de exigir do mundo que resolva meus problemas e, pasmem, comecei a criá-los em menor número.

Para ilustrar esse sentimento, fica o clipe não oficial de “Caminhando”, o outro nome da música.

O tempo passa rápido

domingo, 8 de março de 2009

Eu comecei um novo blog com muitas idéias sobre o que escrever. Hoje, porém, pensei muito antes de escrever. Este é um blog sobre mudanças, ele vai falar sobre turning points, sobre inflexões, sobre algo mais. Nos últimos dias tenho me dedicado a torná-lo atraente, bonito de ser visitado e gostoso de ser lido.

Hoje, porém, não me sinto assim. Minha avó morreu. Ela era mais do que isso, era quase minha mãe. Por anos me criou enquanto meus pais trabalhavam. E hoje fiquei refletindo sobre a mudança que isso geraria na minha vida. E pensei que a morte também é um ponto de inflexão. Depende de nós fazer o certo e garantirmos nossa sobrevivência.

Muitas pessoas que não via há anos hoje me cumprimentaram. Todas, na verdade, estavam mais preocupadas com meu pai do que comigo. Eu também estava.

Mas minha sobrevivência depende de eu aprender as lições que isso traz. Quais eram elas? Eu acho que sei.

A grande lição de hoje é fazer acontecer. A vida acaba rápido, não importa quão novo ou velho somos, e o importante é acreditarmos que somos capazes de ser feliz. Ela, apesar de tudo, foi.